A cama estava dura demais, pesada demais, vazia demais e Joana estava sozinha, perdida em uma imensidão de lágrimas que insistiam em guardar a mesma tristeza naquele velho coração. O dia estava claro, mas um olhar triste apaga boas marcas de felicidade, deixando a escuridão transparecer em um destino ainda não encontrado. O sangue que palpitava daquele velho coração era o único resquício de vida que havia permanecido naquele olhar morto. Era difícil viver sem sentir as marcas de um coração leve, sem preocupações significativas.
O tempo passava devagar. Será que o tempo passava? Joana estava incerta se um dia viveria a intensidade de um amor que ela havia deixado escapar de suas próprias mãos. Ela sabia o que devia ser feito. Ela precisava se entregar novamente, mas as marcas do ressentimento a impediam de descobrir a face do perdão. Ela não queria perdoar.
Já era tarde. Ele ainda não havia chegado. Joana não o esperava mais, ela não fazia mais isso. O silêncio construiu um muro vazio entre os dois, deixando mágoas de palavras escondidas por baixo daqueles móveis cheios de lembranças.
Ela sentia vontade de olhar novamente para aqueles olhos, mas o medo de encarar a realidade a impedia de buscar a proximidade daquele momento novamente. Era tarde demais e a ferrugem do desgaste estava cada vez mais evidente naquela relação. Conversas não eram mais suficientes, deixando que as brigas se tornassem a realidade naquele cubículo duro, pesado vazio.
Já era tarde. Meninos nunca abraçam quando precisa-se de um. Menino vai embora e Joana fica só. Ela sente saudade de tantas lembranças. Ela queria aquele amor novamente, mas não tinha forças para encarar seus próprios medos. Como se pode amar se nem sabemos ao certo o é o amor?
Fica tarde Joana. Se os olhos ficarem fechados tudo fica tarde. O tempo passa tarde, as horas não passam e novos amores só conseguem sentir o gelo daquele ambiente escuro.
Era difícil. Tanta espera a deixava ainda mais cansada, e ela não tinha tantas perspectivas de que algo poderia mudar.
